ENTENDENDO O MECANISMO DO ESTRESSE


“Para o professor David Kendall, da Universidade de Nottingham, na Grã-Bretanha, apesar de o estresse extremo ser prejudicial à saúde, níveis moderados podem ser benéficos. “A regra parece ser que um pouco de estresse é bom para você, mas o estresse severo e imprevisível é ruim”, disse.

Essa é uma definição acadêmica para o estresse, pois se trata de um mecanismo natural do organismo humano; é o estresse que torna possível uma série de atitudes que garantem a sobrevivência humana no planeta. Assim como os episódios de depressão estão sendo encarados como ‘normais’ e devem ser administrados e não medicados, o estresse tem sido reavaliado como um “mecanismo natural”.

Os estados de estresse e depressão para serem tratados como doença devem ser diagnosticados por médicos especialistas na área; não especialistas tendem a generalizar os sintomas e diagnosticar estados de tristeza como depressão, e os casos de cansaço e ansiedade como estresse. Existem níveis destes comportamentos (estresse, depressão, ansiedade) que associados a exames, anamnese e histórico do paciente irão determinar os diagnósticos.

O estresse é um evento fisiológico que desencadeia uma reação fisiológica e uma imediata ação comportamental. Essa reação fisiológica é intermediada por substancias produzidas pelo próprio corpo – adrenalina, nor-adrenalina, cortisol – e vários outros hormônios que combinados entre si em concentrações variadas determinam nossas emoções, sentimentos e ações comportamentais.

O perigo está em se repetir esse evento fisiológico com freqüência. Substancias como adrenalina possuem uma engenharia química que cede elétrons e ativa os neurônios e permite uma ação neural rápida e eficiente. Mas também são substancias que agridem as demais células do organismo, quando em altas concentrações e freqüência de circulação no sangue.

Órgãos como o coração são altamente prejudicados com a constante exposição aos hormônios adrenérgicos. Uma “pesquisa, publicada no New England Journal of Medicine, sugere que... adrenalina na circulação, e... outros hormônios ligados ao estresse, fazem com que o coração fique "atordoado". Segundo os cientistas, excesso de hormônios do estresse podem ser tóxicos para o coração”.

O estilo de vida da maioria da população favorece os repetidos eventos de estresse e instalam a “doença” no individuo. Um dia estressante pode começar com um relógio despertando com um som estridente e terminar com um trânsito caótico e noticias ruins no noticiário da noite. “Um estudo feito por uma equipe da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, sugere que ouvir uma notícia chocante inesperada pode provocar em uma pessoa sintomas semelhantes aos de um ataque cardíaco - dores no peito, fluído nos pulmões, dificuldade de respirar e colapso cardíaco”.

E isto é apenas um episódio de um dia de 18 horas em estado de alerta (acordado) onde 12 horas são de trabalho, 2 a 3 horas de deslocamento em trânsito e 3 horas são em casa, muitas vezes na frente da TV ou em discussões familiares.

Nem todos possuem uma vida estressante assim, é claro. Mas episódios do dia-a-dia são comuns – acordar atrasado, pegar um trânsito lento, se aborrecer com o chefe, discutir com companheiros de trabalho, se aborrecer com as finanças, receber más noticias, dívidas etc.

Parece ser mais fácil ter o estresse do que viver uma vida saudável. Por isso procure mudar seu estilo de vida. Favoreça coisas que irão trazer saúde como – diminuir o volume do despertador (há relógios que imitam o som de pássaros); alimente-se bem de manhã com produtos naturais (evite a cafeína e alimentos gordurosos); se puder ir ao trabalho a pé, excelente; caso seja longe vá de ônibus, lendo algo agradável, cochilando ou ouvindo músicas relaxantes; procure não discutir no trabalho; reserve as horas do almoço para ficar exposto ao sol e respirar profundamente; ao meio dia alimente-se com verduras e legumes ou frutas doces; faça exercícios físicos ao chegar em casa – uma simples caminhada de 20 minutos ajuda a eliminar a toxicologia do estresse.

O importante é sabermos que se pode fazer muito em não adquirir hábitos que nos elevam o nível do estresse.

Fonte: BBC

3 comentários:

Anônimo disse...

Uau! Obrigado! Eu sempre quis escrever no meu site algo como isso. Posso tomar parte do seu post no meu blog?

Ivair A. Costa disse...

Pode adicionar o texto mas dê os créditos devidos.

Anônimo disse...

Gostaria de endereços de médicos na região do tatuapé ou no centro aqui em são paulo.
Grata

Neide