RETARDANDO O ENVELHECIMENTO DO CÉREBRO

 Há muito sabemos que nosso estilo de vida pode ajudar a nos manter saudáveis por mais tempo. Agora, cientistas se perguntam se novas tecnologias também podem ajudar a retardar o processo de envelhecimento de nossos cérebros, acompanhando o que acontece com eles à medida que ficamos mais velhos.

Em uma manhã ensolarada, a holandesa Marijke, de 76 anos, e seu marido, Tom, me receberam para um café da manhã em sua casa em Loma Linda, a uma hora a leste de Los Angeles.

Foram servidos aveia, sementes de chia, frutas vermelhas, mas nenhum cereal ou café açucarado processados — um café da manhã tão puro quanto a missão de Loma Linda.

A cidade é considerada uma das chamadas Zonas Azuis (Blue Zones) do mundo, lugares onde as pessoas têm uma expectativa de vida maior do que a média.

Em Loma Linda os membros da comunidade da Igreja Adventista do Sétimo Dia da cidade são os que estão vivendo mais.

Eles geralmente não bebem álcool ou cafeína, seguem uma dieta vegetariana ou mesmo vegana e consideram um dever de sua religião cuidar de seus corpos da melhor maneira possível.

Essa é a “mensagem de saúde”, como eles chamam, que os colocou no mapa — por décadas, a cidade tem sido objeto de pesquisas para saber por que seus moradores vivem melhor por mais tempo.

Gary Fraser, da Universidade de Loma Linda, me disse que os membros da comunidade Adventista do Sétimo Dia podem almejar ter não apenas uma vida útil mais longa, mas uma maior “expectativa de saúde” -— ou seja, tempo vivido com boa saúde — de quatro a cinco anos a mais para mulheres e sete anos a mais para homens.

Não há nenhum grande segredo em Loma Linda. Seus cidadãos estão simplesmente levando uma vida realmente saudável, mantendo-se mentalmente estimulados e valorizando o espírito comunitário que é geralmente criado em torno de uma religião.

Há palestras regulares sobre vida saudável, encontros musicais e aulas de ginástica.

Eu conversei com Judy, que mora com outras 112 pessoas em um "conjunto habitacional de vida assistida", onde sempre “é possível ter conversas que abrem o coração e o cérebro”, ela me disse.

“O que eu não tinha percebido foi a importância da socialização para o cérebro... sem ela, nosso cérebro parece encolher e desaparecer”, disse Judy.

A ciência há muito reconhece os benefícios das interações sociais e de se evitar a solidão.

Mas agora também é possível identificar quais cérebros estão envelhecendo mais rapidamente do que deveriam, para que possam ser monitorados e, no futuro, que possam ser tratados preventivamente de forma melhor.

À medida que avançamos em direção a modelos de saúde mais personalizados, previsíveis e preventivos, o diagnóstico precoce será crucial em todas as áreas da saúde, impulsionado pelas incríveis possibilidades da IA e da coleta e agrupamento de dados em larga escala.

Andrei Irimia, professor associado de gerontologia e biologia computacional na University of Southern California, me mostrou modelos de computador capazes de avaliar como nosso cérebro envelhece e que podem predizer seu declínio.

Para criá-los, ele usou exames de ressonância magnética e outros dados de 15 mil pessoas e o poder da inteligência artificial para entender a trajetória dos cérebros que estão envelhecendo de forma saudável e daqueles em que há um processo de doença, como a demência.

“É uma forma muito sofisticada de analisar padrões que não necessariamente percebemos como seres humanos, mas o algoritmo de IA é capaz de detectá-los”, disse ele.

O professor Irimia, é claro, examinou a minha cabeça. Eu tinha feito uma ressonância magnética funcional antes da minha visita e, depois de analisar seus resultados, o professor me disse que eu tinha uma idade cerebral oito meses mais velha do que minha idade cronológica (embora, aparentemente, a parte que controla a fala não estava envelhecendo tão rapidamente. Eu mesma poderia ter dito isso a ele). O professor acrescentou que os resultados estão dentro de uma margem de erro de dois anos.

Empresas privadas também estão começando a comercializar essa tecnologia. A empresa americana Brainkey está oferecendo o serviço em uma variedade de clínicas em todo o mundo. Seu fundador, Owen Philips, me disse que, no futuro, fazer uma ressonância magnética deveria se tornar mais fácil.

“Está se tornando muito mais acessível para as pessoas fazerem uma ressonância magnética, e as imagens produzidas estão cada vez melhores”, disse ele. “A tecnologia está chegando a um ponto que nos permite ver as coisas muito mais cedo do que no passado. E isso significa que podemos entender exatamente o que está acontecendo no cérebro de um paciente individual. Com IA, temos condição de fazer isso.” E eu ainda fui presenteada com uma impressão em 3D do meu próprio cérebro.

Em contraste com o que a análise do professor Irimia sobre minha ressonância magnética me disse, a estimativa da Brainkey reduziu a idade biológica do meu cérebro em um ano.

O objetivo do exame não é apenas fornecer uma avaliação mais precisa do tipo de tratamento, mas também ser capaz de quantificar a melhoria obtida pelas intervenções.

Aumentos significativos na expectativa de vida nos últimos 200 anos deram origem a uma série de doenças relacionadas à idade. Eu me pergunto se todos nós vivêssemos mais e mais, a demência poderia bater em todas as nossas portas.

O professor Irimia disse que essa é uma teoria que muitos investigaram, embora não comprovada, acrescentando que o objetivo era encontrar uma maneira de retardar o surgimento de demência para além de nossas expectativas médias de vida.

E isso nos leva de volta ao ponto inicial. Todos os cientistas e médicos, assim como os moradores das chamadas Zonas Azuis, dizem que o estilo de vida é fundamental.

Uma boa alimentação, manter-se ativo, mentalmente estimulado e feliz são cruciais para o bom envelhecimento do nosso cérebro.

Também há outro fator importante, de acordo com Matthew Walker, professor de neurociência e psicologia na Universidade da Califórnia, Berkeley, e autor do livro best-seller Why We Sleep (Por que Dormimos, em tradução livtre).

“Dormir é a coisa mais eficaz que você pode fazer todos os dias para restaurar a saúde do cérebro e do corpo”, ele disse.

“Não há uma simples função de sua mente que não seja maravilhosamente aprimorada quando você dorme ou que não seja comprovadamente prejudicada quando você não dorme o suficiente”, acrescentou ele.

Ele comentou sobre o sistema de limpeza do nosso cérebro, que funciona durante nosso sono eliminando as proteínas beta-amilóide e tau -— “duas das principais culpadas por trás do surgimento da doença de Alzheimer”.

Mudanças nos padrões de sono também estão associadas à demência. O professor Walker disse que isso não é apenas percebido em pessoas com 60 ou 70 anos - já pode ser notado aos 30 anos.

Portanto, identificar essas mudanças por meio do monitoramento do sono pode se tornar um “modelo de prevenção na meia-idade”.

A Fauna Bio, uma empresa de biotecnologia nos arredores de São Francisco, está coletando dados sobre esquilos durante e após a hibernação.

Como é sabido, durante esse estado de torpor, a temperatura corporal dos esquilos cai e sua taxa metabólica é reduzida para apenas 1% do normal.

Nesse período, eles parecem ser capazes de regenerar neurônios e refazer as conexões que seus cérebros haviam perdido.

O objetivo da empresa é tentar criar medicamentos para replicar esse processo em seres humanos, sem que eles precisem passar metade do ano hibernando no subsolo. Mesmo que esse seja o desejo de alguns. Também foi demonstrado que a depressão não tratada aumenta nosso risco de demência.

A professora Leanne Williams, da Universidade de Stanford, identificou um método de “visualizar” algumas formas de depressão no cérebro usando uma ressonância magnética e, assim, verificar se o tratamento funcionou.

Isso pode ajudar os cientistas a entender mais sobre as causas dos problemas de saúde mental, como a depressão, além de fornecer uma maneira de quantificar a evolução do tratamento de um paciente.

Poucos confiaram mais na ciência para alcançar a longevidade do que Bryan Johnson — o empresário de tecnologia que gasta milhões em um esforço para reverter sua idade biológica.

Dezenas de suplementos, 19 horas por dia de jejum, exercícios que o fazem parecer que vai explodir e uma série de tratamentos (às vezes controversos), são o que ele espera que o façam voltar no tempo.

Mas, como Mildred, de 103 anos, que visitei em Loma Linda, disse enfaticamente: “Você absolutamente precisa ter muito cuidado com sua dieta, é verdade, mas eu não gosto disso: 'Você tem que fazer isso, isso e isso, e absolutamente não tocar naquilo! '”.

Ela acha que é mais importante aproveitarmos um pouco a vida e, convenhamos, ela deve saber o que diz.

Fonte: BBC


MÚSCULOS DEPOIS DOS 50 ANOS

Quando completa cerca de 50 anos de idade, o corpo humano intensifica um processo natural pouco agradável: a perda progressiva de massa muscular, chamada de sarcopenia.

E na terceira idade, menos músculos podem significar também menos independência, já que o corpo passa a ter força e mobilidade reduzida para subir escadas, carregar compras e até ter energia para as tarefas diárias, além de aumentar o risco de acidentes como quedas — e a capacidade do organismo para se recuperar deles.

Também é uma questão que afeta diretamente a saúde. Manter uma boa quantidade de massa muscular contribui para a prevenção de doenças crônicas como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares, quadros que se tornam mais comuns conforme as pessoas envelhecem.

"Muitas vezes, o músculo perdido é substituído por gordura corporal, reduzindo a força muscular e a mobilidade, ao mesmo tempo que desestrutura o metabolismo", descreveu a geriatra norte-americana Gabrielle Lyon, autora do livro ‘A Revolução dos Músculos’, em entrevista recente à BBC News Brasil.

Especialistas consultados pela reportagem afirmam que a melhor estratégia para idosos construírem e manterem músculos parece muito com a usada em qualquer idade — e defendem que os resultados podem ser significativos para todos, sejam pessoas com 20 ou 80 anos.

Há, no entanto, algumas orientações específicas - considerando fatores como o tempo de recuperação muscular e o maior risco de lesão em pessoas com idade avançada - que podem ajudar a maximizar os ganhos musculares.

'No pain, no gain'

Sem esforço, não há ganhos - e o aumento de massa muscular segue essa mesma regra.

Durante um treino de força, como o levantamento de pesos, as fibras musculares sofrem pequenas lesões. Depois, durante a recuperação, o corpo repara essas lesões e as fibras musculares se tornam mais fortes e maiores, resultando em ganho de massa muscular.

Mas esas lesões só acontecem se você desafiar as fibras musculares com um estímulo ao qual elas não estão acostumadas. Em outras palavras, o exercício precisa gerar desconforto.

As evidências científicas mostram que a forma mais eficiente de causar esse processo é treinar ‘até a falha’ - ou próximo a ela.

"Isso ocorre quando você sente desconforto e a velocidade do movimento diminui significativamente, até que não seja mais possível levantar aquele peso ou completar mais um movimento completo."

Bons resultados, aponta o professor, também são alcançados quando se chega muito perto desse estado de ‘falha’.O que não adianta é fazer um exercício que você considere fácil, esperando que ele traga bons resultados.

"Para ganhar massa muscular na terceira idade, é necessário incluir exercícios de alta intensidade na rotina. Não estou falando de altíssima intensidade, mas de uma intensidade suficientemente alta para promover adaptações musculares. Para uma pessoa sedentária, qualquer carga de musculação pode parecer desafiadora", aponta Ricardo Guerra, professor do curso de Educação Física do Instituto de Saúde e Sociedade da Universidade Federal de São Paulo (ISS/Unifesp).

O problema, descreve o professor, é que muitas pessoas que começam a treinar mais velhas não tem qualquer experiência com treinos de força e, por isso, não seguem essa dinâmica corretamente na academia.

"Alguém pode ser instruído a fazer três séries de 12 repetições quando, na verdade, poderia realizar 20 repetições, porque o peso não está ajustado para atingir a falha nas 12 repetições. Assim, as pessoas tendem a demorar mais para obter resultados no ganho de massa muscular quando não têm um profissional ao lado para orientar."

De acordo com os especialistas, é comum que as pessoas pensem que não é possível ganhar massa quando se é idoso.

"Mas vários estudos mostram que, sim, é possível construir músculos em idades mais avançadas. Mesmo pessoas com 90 anos podem responder ao treinamento de força e aumentar a massa muscular", diz Eduardo de Souza.

Qual exercício vale?

"De maneira muito simples, a pessoa pode aumentar a massa muscular fazendo leg press dentro de uma academia, assim como fazendo séries de agachamentos com pesos dentro de casa", indica o professor Eduardo de Souza.

O importante é que haja um estímulo que ofereça resistência aos músculos.

"Sabemos que atividades como caminhada e dança são populares entre idosos. São práticas ótimas para saúde mental e para a parte cardiovascular e circulatória. Em uma pessoa que era sedentária, essas modalidades podem até oferecer um pequeno ganho de músculo. Mas para continuar aumentando a massa, não tem outro caminho que não sejam exercícios de força", descreve Ricardo Guerra.

De acordo com o professor, pensando na manutenção da autonomia e da qualidade de vida na terceira idade, é recomendável fazer exercícios multiarticulares.

"São aqueles que recrutam grandes grupos musculares. Esses exercícios promovem um fortalecimento mais completo e funcional do corpo, e vão ajudar em atividades diárias, como levantar sozinho e carregar as compras", explica Ricardo Guerra, do Instituto de Saúde e Sociedade da Universidade Federal de São Paulo (ISS/Unifesp).

Alguns exemplos desses exercícios, são: agachamentos, levantamento terra, supino, remada, e desenvolvimento de ombros - todos movimentos bastante comuns em treinos de musculação.

"E importante considerar que os aparelhos de academia, ainda que alguns não trabalhem tantos músculos ao mesmo tempo quanto um exercício com o peso do corpo, oferecem uma segurança maior devido à sua estrutura."

Em contraste, os pesos livres, apesar de mais desafiadores, não têm a mesma segurança integrada. É crucial ponderar as opções disponíveis e também levar em conta a recuperação muscular dos idosos ao planejar um programa de exercícios", completa Guerra.

Os professores indicam, no entanto, que outras atividades físicas não precisam ser excluídas se a pessoa gosta de fazê-las.

"Precisamos considerar também as interações sociais que outras modalidades promovem, além dos ganhos para a saúde mental. É mais fácil que as pessoas continuem ativas se realmente gostam daquela atividade", afirma Eduardo de Souza.

Dieta é tão decisiva quanto o treino

Outra medida essencial para o ganho de massa muscular é uma dieta equilibrada com enfoque especial nas proteínas.

De acordo com Sociedade Internacional de Nutrição e Esporte, para o crescimento muscular e manutenção da massa magra, juntamente com exercícios físicos, é necessária uma ingestão entre 1,4 e 2,0 gramas de proteína por kg diariamente.

Como base de comparação, um bife de carne bovina tem cerca de 26 gramas de proteína, e um filé de frango, 32.

Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Estado de São Paulo (SBGG-SP), "não é raro que os idosos deixem de consumir uma quantidade desejável de proteína, aumentando assim o risco de sarcopenia e fragilidade."

A instituição sugere que cada pessoa distribua alimentos com proteínas em todas as refeições possíveis e variando as fontes - ovos e leite são citados como boas opções.

Uma pessoa de 70 kg, então, precisaria de um consumo entre 98 e 140 gramas de proteína por dia.

Quando possível, o melhor é consultar um nutricionista, que poderá montar um plano alimentar levando em consideração as necessidades, tipos de atividades e objetivos de cada um.

Recuperação muscular faz parte do ganho

A recomendação de frequência de treino, para ganhos efetivos, são de duas a três sessões por semana.

"Mas iniciar com uma sessão semanal já traz benefícios. Incentivar as pessoas a começar, mesmo que com uma frequência menor, é fundamental", defende Eduardo de Souza.

O professor afirma que há poucos estudos focados na recuperação muscular de pessoas idosas, mas que esse é um fator que deve ser levado em conta.

"A capacidade de recuperação realmente é diferente, mais lenta. Se o treino for muito intenso ou de volume alto para aquela pessoa, pode causar uma dor muscular que dura de 48 a 72 horas. É importante respeitar o tempo de cada organismo e não oferecer estímulos demais, ainda mais se tratando de idosos, que são, por vezes, mais propensos a lesões", afirma.

Conforme o corpo humano envelhece, há uma diminuição natural na produção de hormônios fundamentais para a regeneração muscular.

Além disso, o fluxo sanguíneo e a capacidade das células musculares de sintetizar proteínas diminuem com a idade, prejudicando a reparação dos músculos após lesões ou atividades intensas.

Os idosos também são mais propensos a lesões devido aos processos naturais de sarcopenia (perda de massa muscular), osteoporose (à diminuição da densidade óssea) e redução na elasticidade dos tecidos conjuntivos.

"Cada pessoa tem uma condição única, e se o indivíduo não se sentir bem ou não se recuperar adequadamente, em vez de ajudar, pode acabar atrapalhando os resultados. Se um idoso não está se recuperando bem, talvez o melhor seja menos sessões ou com menor duração, até que o condicionamento melhore e a recuperação se torne mais eficiente", afirma Guerra.

Fonte: BBC

BENEFÍCIOS DE FICAR DE PÉ EM UMA PERNA SÓ

Equilibrar-se sobre uma das pernas normalmente é muito fácil quando somos jovens. Nossa capacidade de manter essa posição costuma se consolidar entre nove e 10 anos de idade. E nosso equilíbrio chega ao pico pouco antes dos 40 anos, quando começa a declinar.

Mas, se você tiver mais de 50 anos, sua capacidade de se equilibrar em uma perna só por mais de alguns segundos pode trazer um nível surpreendente de informação sobre sua saúde em geral e a qualidade do seu envelhecimento.

Existem boas razões para passar mais tempo se equilibrando em uma perna só. Este exercício aparentemente simples pode trazer uma série de benefícios para o corpo e a mente, ao ajudar a reduzir o risco de quedas, aumentar a resistência e melhorar a memória. Por isso, seus efeitos para a saúde podem ser imensos, à medida que envelhecemos.

"Se você achar que não é fácil, está na hora de começar a treinar seu equilíbrio", afirma a especialista em medicina de reabilitação Tracy Espiritu McKay, da Academia Americana de Medicina Física e Reabilitação.

Por que se preocupar com o equilíbrio?

Um dos principais motivos que levam os médicos a usar a permanência sobre uma perna só como avaliação da saúde é sua relação com a perda progressiva de tecido muscular relacionada à idade, também chamada de sarcopenia.

Dos 30 anos de idade em diante, nós perdemos massa muscular à velocidade de até 8% por década. E, quando atingimos os 80 anos, pesquisas indicam que até 50% das pessoas sofrem de sarcopenia clínica.

Esta condição foi relacionada a todo tipo de fatores, incluindo a redução do controle do açúcar no sangue até a queda da imunidade contra doenças.

Mas, como a sarcopenia afeta a resistência de diversos grupos musculares, ela também se reflete na nossa capacidade de equilíbrio sobre uma perna só.

Paralelamente, as pessoas que praticam treinamento com uma das pernas são menos propensas a sofrer de sarcopenia nas suas últimas décadas de vida, pois este simples exercício ajuda a manter os músculos das pernas e dos quadris em boas condições.

"A capacidade de permanecer sobre uma perna só diminui com a idade", segundo Kenton Kaufman, diretor do laboratório de análises motoras da Clínica Mayo em Rochester, no Estado americano de Minnesota.

"Pessoas com mais de 50 ou 60 anos começam a perceber esta redução, que aumenta consideravelmente a cada década de vida seguinte", explica ele.

Equilíbrio e cérebro

Existe também outra razão mais sutil, que torna nossa capacidade de se equilibrar em uma perna só tão importante: a sua relação com o cérebro.

Esta posição aparentemente simples exige não apenas força muscular e flexibilidade. Ela também requer a capacidade do cérebro de integrar as informações que vêm dos seus olhos, do centro de equilíbrio no ouvido interno, conhecido como sistema vestibular, e do sistema somatossensorial, uma complexa rede de nervos que nos ajuda a perceber a posição do corpo e do chão sob os nossos pés.

"Todos estes sistemas se degradam com a idade, em diferentes velocidades", explica Kaufman. Isso significa que nossa capacidade de permanecer sobre uma perna só pode revelar muito sobre o estado de importantes regiões do cérebro, segundo McKay.

Elas incluem as regiões envolvidas na velocidade de reação, nossa capacidade de realizar as tarefas do dia a dia e a rapidez com que conseguimos integrar informações dos nossos sistemas sensoriais.

Com o avanço da idade, todos nós sofremos uma certa atrofia ou contração cerebral. Mas, se ela começar a acontecer com muita rapidez, poderá impedir nossa capacidade de permanecer fisicamente ativos e viver independentemente nos últimos anos, além de aumentar nosso risco de quedas.

Dados coletados pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos demonstraram que as quedas não intencionais, tipicamente causadas pela perda de equilíbrio, são a principal causa de lesões entre pessoas com mais de 65 anos no país.

Os pesquisadores afirmam que praticar exercícios com uma perna só pode ser uma boa forma de reduzir este risco de queda.

Kaufman explica que as quedas costumam ser causadas pelo declínio da velocidade de reação."Imagine que você esteja andando e encontra uma rachadura na calçada", exemplifica ele.

"Na maioria das vezes, cair não é questão de força, mas de poder mover a perna com velocidade suficiente e levá-la para onde ela precisa ir, evitando a queda."

Nossa capacidade de permanecer sobre uma perna só reflete assustadoramente nosso risco de morte prematura a curto prazo.

Em um estudo de 2022, idosos ou pessoas de meia-idade incapazes de se manter sobre uma perna só por 10 segundos apresentaram 84% mais probabilidade de morrer de qualquer causa nos sete anos seguintes.

Outro estudo reuniu 2.760 homens e mulheres na casa dos 50 anos de idade e os colocou em três testes: força de aperto manual, quantas vezes eles conseguem se sentar e levantar em um minuto e por quanto tempo eles conseguem ficar sobre uma das pernas com os olhos fechados. O teste de permanência sobre uma perna se mostrou o melhor indicador do seu risco de doenças.

Nos 13 anos seguintes, os participantes que conseguiram se manter sobre uma perna só por apenas dois segundos ou menos apresentaram três vezes mais probabilidade de morrer do que os que conseguiram permanecer por 10 segundos ou mais.

McKay afirma que este mesmo padrão pode ser observado até mesmo em pessoas diagnosticadas com demência. Aquelas que ainda conseguem se equilibrar em uma perna só sofrem declínio mais lento.

"Em pacientes com Alzheimer, os pesquisadores estão realmente descobrindo que, se não conseguirmos ficar sobre uma perna por cinco segundos, este normalmente é um sinal de declínio cognitivo mais rápido", segundo ela.

Treinar o equilíbrio

A boa notícia é que as pesquisas demonstram cada vez mais que podemos fazer muito para reduzir os riscos desses problemas relativos à idade, praticando ativamente o equilíbrio em uma perna só.

Estes exercícios podem promover não só os músculos das costas, pernas e quadris, mas também melhorar a saúde do cérebro. "Nossos cérebros não são fixos", explica McKay. "Eles são bastante maleáveis."

"Esses exercícios com uma perna só realmente promovem o controle do equilíbrio e, de fato, mudam a estrutura do cérebro, especialmente em regiões envolvidas com a integração dos motores sensoriais e a nossa consciência espacial."

Equilibrar-se sobre uma perna só também pode promover nosso desempenho cognitivo, ao realizar tarefas ativando o córtex pré-frontal do cérebro. Um estudo demonstra que eles podem até aprimorar a memória de trabalho de jovens adultos saudáveis.

McKay recomenda que todas as pessoas com mais de 65 anos deveriam começar a fazer exercícios com uma perna só pelo menos três vezes por semana, para aumentar a mobilidade e reduzir o risco de sofrer quedas no futuro. Mas, idealmente, ela aconselha os idosos a incorporar este exercício à rotina diária.

E iniciar a prática deste tipo de exercício com menos idade pode trazer benefícios ainda maiores.

O pesquisador de medicina do exercício Cláudio Gil Araújo, da clínica Clinimex, no Rio de Janeiro (RJ), liderou o estudo de 2022, que examinou a relação entre permanecer em pé com uma perna só e o risco de morte prematura.

Ele indica que pessoas com mais de 50 anos devem avaliar sua própria capacidade de permanecer sobre uma perna só por 10 segundos."Este exercício pode ser facilmente incorporado às suas atividades diárias", orienta Araújo.

"Você pode ficar de pé por 10 segundos em uma das pernas e trocar para a outra em seguida, enquanto escova os dentes. Também recomendo fazer isso com os pés descalços e usando calçados, pois há uma leve diferença." O motivo é que usar calçados gera diferentes níveis de estabilidade, em comparação com os pés descalços.

Atividades diárias, como ficar de pé em frente à pia ao escovar os dentes ou se lavar, são oportunidades perfeitas para treinar nossas habilidades de ficar de pé em uma perna só, segundo os pesquisadores.

Tente balançar o mínimo possível, pelo máximo de tempo que puder. Passar apenas 10 minutos por dia praticando o equilíbrio já pode render ganhos.

Exercícios suaves de fortalecimento dos quadris com resistência moderada (também conhecidos como exercícios isocinéticos) também podem ajudar a melhorar nossa postura com uma perna só.

Estudos demonstraram que uma combinação de exercícios de força, treinamento aeróbico e equilíbrio pode reduzir fatores de risco associados a quedas em 50%.

Esta relação também pode explicar por que atividades como ioga e tai chi chuan, que costumam envolver posições sobre uma perna só, foram relacionadas ao envelhecimento saudável.

Kenton Kaufman indica um estudo que relacionou o tai chi chuan à redução do risco de quedas em 19%. Ainda mais otimista, Cláudio Gil Araújo concluiu que, com persistência e consistência, é possível manter bom equilíbrio até a casa dos 90 anos de idade e talvez mais além.

"Na nossa clínica, avaliamos uma senhora de 95 anos, capaz de se manter em pé satisfatoriamente por 10 segundos sobre cada perna", ele conta. "Podemos treinar e melhorar o desempenho dos nossos sistemas biológicos até os últimos dias de vida, mesmo entre os centenários."

Fonte: BBC

O QUE UMA REFEIÇÃO FARTA FAZ EM NOSSO CORPO?

A orientação - "O pecado do comer intemperante, do comer com demasiada freqüência, do comer demais e alimentos ricos e não saudáveis, destrói a saudável ação dos órgãos digestivos, afeta o cérebro, perverte o juízo, impedindo o pensamento e a ação racionais, calmos, saudáveis". CRA 50.1. É hoje confirmada pela ciência da saúde.

Os alimentos sustentam o nosso cérebro de diversas formas, para que ele desempenhe muitas funções importantes, como a memória e a concentração. E uma alimentação equilibrada também pode ser um auxílio poderoso para a nossa saúde mental.

Quais são os efeitos imediatos ao cérebro do consumo de refeições fartas?                      O que acontece quando comemos demais?

Quando estamos comendo, diversos sinais em todo o nosso corpo trabalham em conjunto para que o nosso cérebro saiba que estamos satisfeitos.

Estes sinais incluem os enviados pelos hormônios liberados no intestino e os metabólitos (as moléculas que decompõem os alimentos para gerar energia).

Estes hormônios também sinalizam a liberação de insulina pelo pâncreas, para controlar nossos níveis de açúcar. Todo este processo é chamado de "cascata da saciedade".

"Estes sinais vêm de diferentes partes do nosso intestino e trabalham em períodos de tempo levemente diferentes", explica o professor e endocrinologista clínico Tony Goldstone, do Imperial College de Londres.

Esta cascata de hormônios liberada pelo intestino e pelo pâncreas e o envio de sinais para o cérebro também podem ter alguma relação com o sono que sentimos após uma grande refeição (a chamada "sonolência pós-prandial").

Mas os mecanismos exatos responsáveis por este processo ainda não são bem conhecidos, segundo o professor Aaron Hengist, pesquisador visitante dos Institutos Nacionais de Saúde em Washington, nos Estados Unidos.

De forma geral, acredita-se que esta sensação (apelidada de "coma alimentar"), em grande parte, é o efeito do sangue sendo transportado do cérebro para o estômago. Mas pesquisas indicam que o fluxo sanguíneo, na verdade, não diminui após uma grande refeição.

São necessárias mais pesquisas para compreender o sono após as refeições, segundo Hengist. "A reação dos hormônios intestinais é um coquetel", segundo ele. "Não sabemos quais hormônios específicos podem causar o sono em quais centros do cérebro."

Comer demais e perigoso?

Surpreendentemente, comer demais esporadicamente tem pouco efeito sobre o nosso metabolismo, segundo Hengist.

Em 2020, ele publicou os resultados de um estudo que examinou o que acontece quando as pessoas comem além da quantidade necessária para ficarem confortavelmente satisfeitas e quando comem até ficarem a ponto de explodir.

Para a realização do estudo, 14 homens saudáveis (e muito corajosos) se voluntariaram para comer uma grande quantidade de pizza em uma única refeição.

Em uma visita, os pesquisadores pediram que eles comessem até ficarem confortavelmente satisfeitos. E, em outra, que comessem o máximo que pudessem. Nesta segunda ocasião, eles comeram o dobro da quantidade de pizza consumida na primeira vez.

Os pesquisadores avaliaram seus níveis de hormônios, apetite, humor e reações metabólicas por quatro horas após os dois banquetes. Eles concluíram que os níveis de açúcar no sangue não eram superiores aos encontrados após uma refeição normal, nem a quantidade de gordura no sangue.

"Ficamos surpresos ao perceber que, apesar do dobro da ingestão de energia, o corpo regulou o açúcar do sangue muito bem", afirma Hengist. "Descobrimos que o corpo trabalhou muito para conseguir isso, secretando mais insulina e diversos hormônios do intestino, que ajudam a liberar insulina e sinalizar que estamos satisfeitos." Ele explica que este estudo demonstra que uma indulgência isolada não é tão perigosa como poderíamos imaginar.

Mas, como o estudo só envolveu homens jovens saudáveis, não é possível extrapolar a pesquisa para a população em geral, sem estudar as mulheres e pessoas obesas ou acima do peso, segundo Hengist.

Como nós comemos demais faz diferença?

Uma sessão comendo pizza pode não causar prejuízos imediatos, mas pesquisas demonstram que comer por várias horas ou um dia inteiro de banquete podem começar a prejudicar o metabolismo e exercer tensão pelo corpo — o que, por sua vez, pode afetar o cérebro.

Em 2021, um estudo examinou pessoas que comeram demais por um período prolongado e encontrou resultados muito diferentes da pesquisa de Hengist com a pizza. Ele foi inspirado na tradição norte-americana de promover festas antes de competições esportivas, onde as pessoas comem muito e bebem álcool.

Os pesquisadores tentaram reproduzir esta tradição, oferecendo bebidas alcoólicas e alimentos com alto teor de açúcar e gordura (como hambúrgueres, batatas fritas e bolo) a 18 homens saudáveis, mas acima do peso, para que eles passassem uma tarde consumindo.

Eles comeram, em média, 5.087 calorias ao longo de cinco horas. Exames de sangue e de imagem do fígado revelaram que a maioria deles sofreu aumento do teor de gordura no fígado depois do banquete.

Pesquisas demonstram que a doença hepática gordurosa não alcoólica pode reduzir a quantidade de oxigênio no cérebro e causar inflamações dos tecidos cerebrais, o que pode aumentar o risco de doenças do cérebro ao longo do tempo.

Alimentação com alto teor de gordura e açúcar pode causar doença hepática gordurosa não alcoólica a longo prazo.

"O estudo mostra que os homens apresentaram desregulação metabólica", explica Hengist. "Ao consumir passivamente alimentos e álcool por várias horas, a tensão é grande demais para o corpo suportar."

Por que uma grande refeição não nos afeta?

A fisiologia pode nos ajudar a compreender por que talvez não seja tão perigoso comer demais isoladamente — e como o nosso cérebro e intestino se comunica entre si quando precisamos nos alimentar.

Quando estamos com fome, muitos mecanismos entram em ação e nos levam a comer, segundo Goldstone. Nosso humor, por exemplo, pode se alterar e podemos nos sentir irritados e com fome. Também aumenta a nossa propensão a desejar alimentos com alto teor energético.

"Não sabemos exatamente o que gera a irritação da fome", explica Goldstone. "Mas pesquisas em andamento demonstram que a fome é um estado bastante desagradável e, talvez, as pessoas comam para se livrar dele."

Evidências de estudos com animais demonstram comportamento parecido. Estudos destacam como parte do circuito do hipotálamo (uma parte do cérebro que controla o apetite) é silenciada quando roedores veem e cheiram alimentos, antes mesmo de começarem a comer.

"A fome fez com que eles procurassem comida e, quando a encontram, esse comportamento não precisa continuar", afirma Goldstone. Ele destaca que grande parte deste processo se passa no subconsciente. Os seres humanos evoluíram para encontrar formas de lidar com a fome. Afinal, sem comida, nós morremos.

Mas o excesso não aconteceu ao longo da história humana. E seus efeitos ocorrem a longo prazo e são menos letais, pelo menos no curto prazo, segundo Goldstone.

O que nós comemos demais faz diferença?

Diversos estudos realizados com ratos e camundongos indicam que uma alimentação com alto teor de calorias a longo prazo pode afetar a memória e as funções de aprendizado.

Mas, em seres humanos, existem menos pesquisas nesta área, segundo Stephanie Kullmann, líder de grupo e chefe da divisão de neuroimagens metabólicas da Universidade de Tübingen, na Alemanha.

Mas um estudo oferece algumas indicações sobre o que acontece no nosso cérebro quando comemos alimentos com alto teor de açúcar e gordura em quantidade excessiva. E suas descobertas poderiam ser aplicadas, até certo ponto, a períodos mais curtos de alimentação em excesso, segundo Kullmann.

Em um estudo, 18 homens saudáveis comeram uma dieta com alto teor de calorias por cinco dias — especificamente, lanches ultraprocessados com alto teor de açúcar e gordura — além da sua dieta normal.

Em média, eles comeram 1,2 mil kcal a mais por dia. Outros 11, em um grupo controle, não alteraram sua alimentação.

Os resultados demonstraram que a dieta com alto teor de calorias afetou a reação do cérebro à insulina, em áreas que ajudam a reduzir sua resposta às indicações visuais sobre alimentos e processos de memória.

O cérebro resistente à insulina não reduz adequadamente o apetite e a ingestão de alimentos, sinais que nos orientam a parar de comer quando estamos satisfeitos.

"Uma descoberta importante foi que o cérebro muda antes do corpo", segundo Kullmann.

"Os participantes continuavam com o mesmo peso, mas, quando observávamos o cérebro, víamos que eles estavam muito mais próximos de uma pessoa obesa ou que estivesse acima do peso há alguns anos", explica ela.

Pesquisas indicam que, em pessoas obesas, o hipotálamo e o sistema de recompensas do cérebro (que ajudam a regular nossa ingestão de alimentos) podem ser prejudicados.

Este estudo amplia as pesquisas existentes, segundo Kullmann. Ele mostra a comunicação entre o intestino e o cérebro e demonstra como o eixo é diferente nas pessoas obesas.

Especificamente, as pessoas obesas apresentam maior propensão a escolher porções maiores de alimentos, quando pensam em prazer.

Os participantes do estudo de Kullmann foram orientados a retomar sua alimentação normal após os cinco dias da pesquisa. Mas, uma semana depois, novos testes demonstraram que a memória e as partes cognitivas do cérebro ainda reagiam menos do que antes do início da dieta com teor de calorias mais alto.

Então, podemos comer em excesso?

É conhecimento bem estabelecido que períodos prolongados de alimentação (especialmente com alto teor de açúcar e gorduras saturadas) não fazem bem para o cérebro. E, embora existam menos estudos observando os impactos de um banquete isolado sobre o nosso corpo, as evidências existentes sugerem que isso não é prejudicial para o cérebro.

"O nosso estudo mostra que uma indulgência isolada não é tão prejudicial como se poderia esperar", afirma Aaron Hengist.  Mas ele destaca que ir além disso pode começar a criar tensão sobre o corpo.

Mesmo cinco dias podem ser suficientes para criar efeitos duradouros sobre o cérebro, segundo as pesquisas de Stephanie Kullmann.

Fonte: BBC

PREDITOR DE ENVELHECIMENTO

A força das pernas como preditor do envelhecimento: o que a ciência descobriu em um estudo de 10 anos

O envelhecimento saudável tem sido um dos grandes focos da medicina preventiva moderna. Mais do que tratar doenças, a ciência busca identificar marcadores simples e confiáveis que ajudem a prever como o corpo e a mente envelhecem ao longo do tempo. Um desses marcadores, talvez inesperado, é a potência muscular das pernas.


Um estudo científico longitudinal publicado no periódico Gerontology trouxe evidências importantes sobre essa relação, mostrando que a força das pernas pode ser um preditor significativo do envelhecimento, especialmente do envelhecimento cognitivo.


O estudo: 10 anos acompanhando mais de 300 mulheres. A pesquisa intitulada “Kicking Back Cognitive Ageing: Leg Power Predicts Cognitive Ageing after Ten Years in Older Female Twins” foi conduzida por Claire J. Steves, Mitul M. Mehta, Stephen H. D. Jackson e Tim D. Spector.

O estudo acompanhou 324 mulheres, todas gêmeas idênticas, por um período de 10 anos. A escolha de gêmeas idênticas foi estratégica: esse modelo reduz a interferência genética, permitindo observar com mais clareza o impacto de fatores físicos e funcionais no envelhecimento.


No início do estudo, as participantes tinham entre 43 e 73 anos e passaram por avaliações detalhadas, incluindo testes de potência muscular das pernas, função física e desempenho cognitivo.


O que os pesquisadores descobriram


Ao final dos 10 anos de acompanhamento, os pesquisadores observaram que:

Mulheres que apresentavam maior potência muscular nas pernas no início do estudotiveram menor declínio cognitivo ao longo do tempo.

A força das pernas mostrou-se associada à manutenção da função cerebral, incluindo áreas ligadas à memória e ao processamento cognitivo.

Essa relação permaneceu significativa mesmo após ajustes para fatores como idade, estilo de vida e saúde geral.


Em outras palavras, a força das pernas não foi apenas um reflexo da saúde geral, mas um indicador independente do ritmo de envelhecimento, especialmente do cérebro.


Por que as pernas são tão importantes?


As pernas são responsáveis por movimentos fundamentais como caminhar, levantar-se, subir escadas e manter o equilíbrio. Esses movimentos exigem integração entre:

sistema muscular

sistema nervoso

coordenação motora

circulação sanguínea


A perda de força nas pernas pode sinalizar uma redução global da função neuromuscular, o que ajuda a explicar sua associação com o envelhecimento cognitivo.


Além disso, a atividade muscular estimula a liberação de substâncias benéficas ao cérebro, contribuindo para a saúde neural ao longo da vida.



Implicações para a medicina preventiva


Os achados desse estudo reforçam um conceito cada vez mais aceito na medicina preventiva e do estilo de vida: manter a força muscular é essencial para envelhecer bem.


Entre as principais implicações práticas estão:

Avaliações simples de força e potência muscular podem ajudar a identificar riscos precoces de envelhecimento acelerado.

Exercícios que fortalecem os membros inferiores podem ser uma estratégia acessível e eficaz para preservar a saúde física e cognitiva.

O envelhecimento não deve ser visto apenas como um processo inevitável, mas como algo que pode ser modulado por hábitos ao longo da vida.


Conclusão


O estudo publicado na Gerontology demonstra que algo aparentemente simples — a potência das pernas — pode revelar muito sobre como envelhecemos. Mais do que estética ou desempenho físico, a força muscular se mostra um importante indicador de saúde global e cerebral.


Essas evidências reforçam a importância de estratégias preventivas baseadas em movimento, funcionalidade e estilo de vida ativo, especialmente para mulheres ao longo do processo de envelhecimento.


Referência científica


Steves, C. J.; Mehta, M. M.; Jackson, S. H. D.; Spector, T. D.

Kicking Back Cognitive Ageing: Leg Power Predicts Cognitive Ageing after Ten Years in Older Female Twins.

Gerontology, vol. 62, n. 2, p. 138–149.

SAÚDE E SANTIFICAÇÃO

A Bíblia apresenta a santificação como uma obra integral, que envolve corpo, mente e espírito. Ellen G. White desenvolve os princípios bíblicos esse ao revelar que a obediência às leis da saúde é parte inseparável da verdadeira santificação

Nos escritos inspirados, aprendemos que hábitos físicos corretos fortalecem a vida espiritual, enquanto a negligência do corpo enfraquece o caráter cristão.


A seguir, dez textos que estabelecem essa relação.


1. A santificação envolve todo o ser


“A santificação bíblica tem que ver com o homem todo.”

Conselhos Sobre Saúde, p. 84.  


A santificação não se limita à fé professada, mas alcança o corpo físico. O cristão não pode separar espiritualidade de estilo de vida, pois Deus deseja restaurar o ser humano por completo.


2. Maus hábitos impedem a santificação


“É impossível as pessoas apreciarem as bênçãos da santificação enquanto são egoístas e glutonas.”

Conselhos Sobre Saúde, p. 84–85.  


A condescendência com o apetite enfraquece a sensibilidade espiritual. A santificação exige domínio próprio e cooperação com as leis divinas da vida.


3. Santificação é um princípio prático e diário


“A santificação não é apenas uma teoria… mas um princípio vivo e ativo, que faz parte da vida diária.”

Conselhos Sobre Saúde, p. 85.  


Aqui vemos que hábitos cotidianos — comer, beber e vestir — fazem parte da experiência espiritual. A santidade se revela nas escolhas diárias.


4. O corpo como sacrifício vivo


“Demanda que nossos hábitos no comer, beber e vestir sejam de molde a assegurar a preservação da saúde física, mental e moral.”

Conselhos Sobre Saúde, p. 85.  


Oferecer o corpo a Deus exige cuidar dele. A negligência com a saúde compromete a adoração verdadeira.


5. A vida religiosa e a vida física estão ligadas


“A vida religiosa e física estão relacionadas.”

Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 274.  


Este princípio elimina qualquer dicotomia entre fé e saúde. O progresso espiritual é limitado quando o corpo é enfraquecido por maus hábitos.


6. O apetite é um obstáculo à santificação


“A condescendência com o apetite é o maior empecilho ao desenvolvimento mental e à santificação da alma.”

Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 292.  


O domínio próprio é essencial para o crescimento espiritual. Sem ele, a mente se torna incapaz de discernir as coisas espirituais.


7. Temperança precede a santificação


“Antes de eles poderem compreender realmente o sentido da santificação genuína… precisam obter o domínio de hábitos e costumes errôneos.”

Medicina e Salvação, p. 275.  


A temperança é uma escola espiritual. Deus trabalha mais profundamente na vida daquele que disciplina seus hábitos.


8. A reforma de saúde prepara para a eternidade


“Pode ser santificado mediante a verdade e tornado apto para a imortalidade.”

Testemunhos para a Igreja, vol. 3, p. 162.  


A reforma de saúde não é opcional nem meramente temporal. Ela prepara o cristão para a vida eterna.


9. Hábitos físicos afetam a espiritualidade


“Qualquer hábito que não promova o perfeito funcionamento saudável do organismo humano degrada as mais elevadas faculdades.”

Conselhos Sobre Saúde, p. 85.  


A saúde influencia diretamente a percepção espiritual. O enfraquecimento físico resulta em enfraquecimento moral.


10. Santificação genuína inclui temperança


“Para que, ao exercerem a temperança na vida diária, possam ser santificados pela verdade.”

Conselhos Sobre Saúde, p. 120–121.  


A verdade santificadora atua plenamente quando o cristão coopera com Deus por meio de hábitos saudáveis e equilibrados.


Conclusão


Os escritos de Ellen G. White deixam claro que a mensagem de saúde é parte do evangelho eterno. A santificação não acontece em um corpo negligenciado, mas em um organismo consagrado, disciplinado e colocado a serviço de Deus.


“Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” (1 Coríntios 10:31)